segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Rescaldo - Trail Santa Catarina

Números engraçados vou referir a seguir. Duas semanas após meu último trail, e a duas semanas da Maratona do Porto, completei aquela que seria no papel a prova/treino (como lhe quiserem chamar), mais difícil da minha preparação, uma semana depois de ter pela primeira vez, ultrapassado a marca dos 30kms, com um treino longo onde fiz 33kms em 3h. Desta vez corri em casa, na 4ª edição do Trail Santa Catarina, prova que já havia feito em 2015.


Não podia deixar de estar presente numa prova organizada pela minha equipa, os Fama Runners. Já na 4ª edição, esta prova estava marcada no meu calendário, como preparação para o grande objetivo do ano, a Maratona do Porto. Alguns colegas que também vão à Maratona, deram-me na cabeça por arriscar fazer um trail a apenas duas semanas da prova, ainda para mais na versão longa (sempre foram 27kms). Se calhar tinham razão como já disse, mas o ambiente de competição torna mais fácil percorrer longas distâncias. Correr 3h em estrada não me dá prazer nenhum, é sempre a mesma coisa e chega a um ponto que é uma luta contra a mente. No trail, sofre-se sempre, mas ao menos o que temos pela frente nunca é igual.

Regresso a uma prova especial para mim
Esta prova é especial para mim, pois marcou o meu regresso aos trails em 2015, após vários meses parado. Acabo de reler minha crónica da prova que fiz em 2015, e foi bom relembrar o que vivi nesse meu regresso. Já na altura tinha rotulado o Trail Curto de Santa Catarina, como o mais puxado que  havia feito no que toca a Trails curtos. Este ano, fiz o Trail Longo de 25kms, e posso dizer que era mais do mesmo. Não era mesmo fácil. 

Como foi a prova
Uma semana após um treino longo de 33 kms, confesso que não estava naqueles dias em que me apetecia correr. Custou a recuperar dos 33kms, senti-me cansado nos treinos, e no dia da prova sinceramente, a cabeça não estava 100% virada para a corrida, mas lá fui. Mais uma vez tive alguns stresses com a entrega do dorsal, que só recebi a 2min do início da prova.

Aprendi a controlar o pessimismo da mente. E antes que perguntem o que estou para aqui a falar, eu explico. Quando temos pela frente um desafio muito grande, é fácil a mente começar a tentar demover-nos, ou fazer-nos desistir. Não sei se acontece com vocês, mas comigo acontece. Sobretudo quando estamos a sofrer, e o corpo reclama por descanso. E esta prova, eu sabia que ia ser complicada, basta ver a altimetria (1000m de acumulado já não é pouco). Vou aprendendo a evitar pensar muito nas coisas, a simplesmente fazê-las. Claro que há altos e baixos, mas no global vou conseguindo controlar a coisa, pelo menos até dar o berro. Ai complica.
Ao contrário de 2015, não fiz o primeiro pico a correr, pois sabia que tinha que gerir meu esforço. Rolei a bom ritmo até perto do km 15, onde senti uma ligeira quebra, que se acentuou um pouco, ao ponto de ter decidido baixar um pouco o ritmo a partir dai. Infelizmente, ainda não tenho resistência para fazer 25kms num monte sem quebras de ritmo.
A prova era complicada. Muito sobe e desce, terreno por vezes rochoso, a massacrar muito os pés e joelhos. Felizmente, dos joelhos não tive queixa nenhuma, já dos pés não posso dizer mesmo.

Quando o pé não se adapta à sapatilha
Tenho corrido no monte com umas Salomon S-Lab XT6 Racing. Não cheguei a fazer o unboxing delas, mas conto fazer uma review às mesmas. Comprei-as após muita pesquisa, mas confesso, não me adaptei bem a elas. São sapatilhas muito duras para mim, e em distâncias maiores massacram muito os meus pés, pelo que mal seja possível vou ter que comprar outras sapatilhas, e deixar as S-Lab para distâncias mais curtas.
  
Um exemplo de como ficaram meus pés



Voltando à prova, a parte final custou. Quebrei fisicamente, e acabei em esforço. Tentei fazer o máximo de kms possível a correr, tentei caminhar o menos possível. Tentei que a cabeça fosse mais forte que o corpo, pois vou precisar vencer estas batalhas comigo mesmo, na Maratona. E embora não tenha conseguido fazer a prova toda ao mesmo ritmo, sinto que melhorei. Ainda não estou onde queria estar, mas sinto-me melhor. E enquanto for assim, tenho que estar satisfeito

Porque nunca devemos consumir um gel que não conhecemos
Hesitei um pouco antes de contar esta história, mas acho que pode ser um bom exemplo para vocês. Fiz a maior parte da prova com um colega de equipa. Ele desce melhor que eu (ainda mais nesta prova, onde tive cuidados extra), e eu era melhor em plano e subidas, pelo que tanto ia ele à frente como eu. Era a sua estreia num trail com mais de 25kms, pelo que só queria acabar. No primeiro reforço sólido que apanhamos, vi que tinha disponível um Gel, de uma marca que nunca tinha experimentado. Peguei um para mim e outra para o meu companheiro.  Por norma quando tomamos um Gel, a seguir temos que beber muitos líquidos. Esta não era necessário beber esses liquidos. Andei uns 2 a 3 kms com o Gel na mão, até o que o tomei. E claramente meu estômago não aceitou bem a coisa, e avariou-me o sistema todo. E cerca de 2 kms depois tive que fazer um "pit-stop" não programado :)
Qual é a lição disto? Nunca consumam um Gel em prova, que não tenham experimentado antes em treinos. Pode-vos acontecer o que aconteceu a mim.

Resto da prova
Depois do meu pit-stop, fiquei muito melhor, e embora a sofrer dos pés dei meu máximo para recuperar o mais possível (perdi no pit-stop uns bons 5min). Não que contasse para nada, mas apanhei meu companheiro muito perto do fim da prova. Após duas ou três provas seguidas, em que o meu companheiro me levou a melhor, não queria mesmo que se tornasse uma tradição. Estamos aqui por nós, mas um bom incentivo nunca fez mal a ninguém.
Acabei a prova em 62º lugar à geral, com o tempo de 03:14:34 para 27kms. O primeiro classificado, fez o tempo de 02:17:29, quase 1h de avanço. Incrível ah?


Organização
Minha apreciação não será influenciada por a prova ter sido organizada pela minha equipa. É uma organização que faz bem o seu trabalho. Trilhos bem marcados, tive quatro zonas de reforço durante a prova, sem falhas de qualquer espécie. Único ponto de melhoria que já transmiti à organização, foi para o inicio da prova. Dei a sugestão de o trail começar pelo menos 30 min mais cedo. Vários atletas chegaram já bem depois de a noite ter chegado, o que pode ser perigoso.
E agora?
Com cerca de 50 treinos e algumas provas pelo meio, o grosso da minha preparação está feito. Agora é recuperar as mazelas nos pés, e fazer mais 8 a 10 treinos para manter a forma, e recuperar energias para a Maratona do Porto, dia 6 de Novembro. Não esqueço que durante boa parte desta preparação, não acreditava ser possível ainda estar aqui. 
Curiosamente, estou muito tranquilo em relação ao joelho. Só espero que o corpo reaja bem ao choque de fazer algo que nunca fez antes, 42kms seguidos. Já falta pouco.

Aquele abraço
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Rescaldo - Trail da Guarita 2016

A menos de um mês da Maratona do Porto, de volta a um Trail para continuar minha preparação para o grande desafio da minha (pseudo) carreira com corredor (tens cá uma moral rapaz!! eheh). Alguns diriam que é asneira fazer trail, tão próximo da Maratona, devido aos riscos de lesão, mas eu não vejo assim. Vejo isto como um bom complemento, para a monotonia que é correr em estrada. Corremos sempre mais em provas. A forma física embora lentamente, está a aumentar e isso transpareceu nesta prova.


O meu último trail, o Celtic Challenge, não correu nada bem. Claramente não tinha preparação para fazer a prova, o que me deixou um pouco desanimado e preocupado. Desde ai procurei aumentar o volume de treinos, e tinha este Trail da Guarita como o primeiro teste às pernas. Tinha planeado fazer o Trail Longo da Guarita, com cerca de 25kms.

Confusão das antigas
Faço parte de uma equipa com muitos atletas. A maioria compete apenas para se divertir, optando sempre por fazer os trails curtos. Ora, o responsável pela minha equipa, por razões que o só próprio saberá, ficou com a ideia que eu tinha pedido para me inscrever no Trail Curto. Como tínhamos combinado entregar-me o dorsal antes do inicio da prova, jamais me passou pela cabeça que tivesse confundido as coisas. Resultado, o speaker a anunciar "10 min até ao inicio do Trail longo", e o Nuno (responsável pela equipa) ainda a cerca de 1km do local de partida, a receber outros membros da equipa. Visto que ele estava convencido que eu ia fazer o Trail Curto, não se preocupou em chegar a tempo da partida do Trail Longo. Resultado? A malta do Trail Longo partiu, e eu fiquei por terra. Só quando chegou ao pé de mim, é que se apercebeu da confusão. Resultado? Acabei fazendo o Trail Curto.
Deu para por as mãos na cabeça por ver os minutos a passar e nada de Nuno, mas também deu para rir um bocado "assim não te cansas tanto rapaz...e não esperamos ainda mais por ti!! ehh".
Ao invés de ter feito uma prova onde provavelmente iria sofrer, acabei fazendo um Trail Curto de 15kms, ao ritmo mais rápido que consegui. Fiquei um pouco chateado por não ter feito o que tinha planeado e sobretudo mentalizado, mas haverá tempo para isso.


A prova em si correu bem. Comecei com calma, ligeiramente chateado/desanimado com o desentendimento com o Nuno, até que após alguns kms, vejo um companheiro de equipa a apanhar-me. Um companheiro que nas últimas duas/três provas terminou à minha frente. Foi o suficiente para ganhar aquela motivação extra, do género "desta vez não me ganhas". A partir dai foi dar o litro, e procurar ganhar vantagem onde sabia ser mais forte. No entanto, esse esforço não foi suficiente.. grrrrrrrrrrrrr
Quando corríamos em plano eu tinha mais ritmo que ele. Mas a subir perdia praticamente para todos os adversários, sobretudo quando íamos a pé. Quando era a descer, eu era mais medroso pelo que perdia para ele também. Como a parte final da prova era essencialmente a descer, ele passou-me. Fui tentando mantê-lo no meu raio de visão, para tentar atacar quando voltasse a ser plano, até que apanhei uma companheira num single track que me atrasou um pouco. Nunca mais o vi, mas sinceramente não ia fazer diferença. Desce melhor que eu, e isso fez a diferença.
Obviamente que foi uma picardia saudável da minha parte, que serviu essencialmente como fonte de motivação extra. Ajudou a que desse mais de mim. O que conta é que fiz uma boa prova em relação a outras que fiz recentemente. .

Para a história, fiquei em 63º lugar com o tempo de 01:42:09 (01:39:30 no meu relógio) a cerca de 00:24:13 do primeiro classificado. 

E agora
A Maratona está cada vez mais próxima. Como já disse anteriormente, aumentei o volume de treinos, e o cansaço começa a fazer-se sentir. O próximo fim-de-semana terá por ventura o treino mais importante da minha preparação. Tenho planeado um treino de 30 a 35 kms Distância que nunca fiz de uma vez só na minha vida, fiz uma vez 29kms num trail. 
No fim de semana a seguir, será o último treino longo da preparação com mais umTrail, desta vez com cerca de 26kms, que pela altimetria, serão bem puxados.
Estou naquela fase do vai ou racha. O corpo pede descanso, mas a cabeça e sobretudo a motivação e receio de falhar não estão a deixar-me dar ouvidos ao que o corpo pede. Que assim continue.

Ah.. relativamente ao joelho.. tem estado impecável.. por vezes alguma dorzita a nível do gémeos, mas já tem sido várias as vezes, em que corro de principio a fim sem qualquer dor, como foi o caso desta prova. Não imaginem a sensação boa que é poder correr sem sentir absolutamente nada de estranho no joelho e arredores. O trabalho especifico de ginásio, alongamentos e massagens semanais estão a ajudar. Oxalá assim continue por muito tempo.

Aquele abraço.
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domingo, 25 de setembro de 2016

Preparação para a Maratona - Estado da nação

A cerca de mês e meio da Maratona, achei que era tempo de fazer um estado da nação, para partilhar com vocês como tem corrido os treinos, quais as expetativas no momento e o que me espera nas próximas semanas. Já passaram mais de dois meses desde que comecei a treinar especificamente para esta prova, e posso dizer que não esperava ainda ter a prova ainda no horizonte, embora tenha surgido outras fontes de preocupação.


Na minha primeira tentativa (falhada) estava muito mais animado. Próprio de uma primeira vez. Fui treinando, todas as semanas publicava aqui a semana de treinos, e assim foi até ser forçado a desistir da prova, um mês antes de se realizar.
Desta vez, meti-me nisto de uma forma muito mais ponderada, sem expetativas, receoso. Quase certo que não ia conseguir estar à partida da prova. E embora ainda não saiba se vou estar, pelo menos ainda está no horizonte, o que já é positivo por si só.

Estratégia de treinos
Sendo eu um perfeito amador, sujeito a cometer 1001 erros, naturalmente fiz aquilo que achei que devia fazer, tendo em conta o que vivenciei em 2014. Fiz um plano com 4 treinos semanais, para um total de 58 até à prova. Numa tentativa de minimizar sobrecarregar o joelho, tomei três decisões claras:
  • Sessões de fisioterapia semanais de modo a tentar controlar a perna esquerda, nomeadamente o joelho e gémeos, bem com impedir que toda a perna fique excessivamente rígida (ao nível muscular claro), algo que infelizmente pareço fazer com grande facilidade, sobretudo na perna esquerda.
  • Não fazer treino intervalado ou por séries, por receio de o impacto forte e agressivo a que o joelho iria ser sujeito, pudesse agravar e causar mais problemas.
  • Fazer um plano muito simples, com poucos kms, em crescendo, para dar tempo às pernas, músculos e tendões de ficarem mais fortes e resistentes.
À data de hoje, 25 de Setembro de 2016, cumpri 34 dos 58 treinos planeados.

Parte boa até agora
Bem, a parte boa até agora tem que ser o facto de ainda estar aqui, a treinar e de o joelho não me ter dado os problemas. Na verdade, nas últimas semanas até nem tem incomodado muito. Em alguns treinos vou sentindo dores aqui e ali. No final dos treinos longos também fico dorido, mas nada que se compare a 2014. O joelho em si tem-se portado bem, as dores ou sensações esquisitas tem vindo sobretudo da zona mesmo abaixo do joelho, perto dos gémeos. Felizmente (façam figas) não tem piorado com os treinos e nas últimas semanas até baixou de intensidade. Tenho conseguido fazer alguns treinos sem qualquer queixa, durante ou depois. Não fazem ideia de como isso sabe bem, quando faço um treino a sentir as pernas sólidas, sem dores.

Parte má/preocupante
Estou preocupado sim! Estive sempre atento ao joelho, mas a verdade é que não é por ai que estou preocupado, mas sim com a minha forma física. Não estou de maneira nenhuma ao nível que já deveria estar a cerca de 6 semanas da prova, nomeadamente no que toca a resistência. Estarei com resistência (correr até sentir a primeira quebra) para cerca de 16/17kms, quando teria que estar mais perto dos 30kms.
Duas semanas antes de eu escrever este artigo, fiz um treino longo de 22.5kms, onde dei o "berro" por volta dos 16kms, fazendo o resto em esforço. Custou bastante, mas fiz a distância pretendida, embora bem acima do ritmo desejado.

Hoje tinha planeado 27kms, dos quais fiz pouco mais de 18kms. Foi o primeiro treino que não cumpri a distância planeada. Houve alguns fatores que podem ter contribuído para este mau treino. Na tentativa de descansar mais, posso ter dormido de mais, e no dia anterior cometi o erro de beber leite a mais, por preguiça para fazer comida apropriada. Foi um treino complicado. Comecei a ter dificuldades aos 13kms, parei algumas vezes, até que a cabeça quebrou e desisti ao km 18. Não me sentia bem, pulsação alta mesmo a ritmo lento, sentia-me mal disposto. Parei três vezes para tentar recuperar um pouco até que a cabeça quebrou. Espero que tenha sido sobretudo um dia mau como todos nós temos, e que com as correções que vou tentar fazer, as coisas melhorem.

Numa Maratona, sobretudo para estreantes como eu, todo o mundo fala da grande parede que surge algures depois do km 30. A este ritmo, vou tingir essa parede muito antes dos 30kms, o que não augura nada de bom. Tenho que mudar algo, sob pena de claudicar na prova. Se estas alterações provocarem problemas no joelho, paciência. Fiz o que pude!

All in
Andei este tempo todo preocupado em não sobrecarregar o joelho, mas está visto que a este ritmo muito dificilmente vou conseguir chegar ao fim da prova, pelo que decidi arriscar mais, na esperança que me ajude a melhorar minha forma física.
Tenho planeado 2 trails de 25kms em Outubro, que não deverão andar muito longe de equivaler a 30 kms na estrada. Mas para a coisa correr bem, tenho que conseguir fazer esses trail's sem "berrar" tão cedo. O ideal obviamente, é fazer o trail todo sem quebrar.. Se no segundo trail, planeado para o final do mês de Outubro conseguir isso, então poderei ficar mais animado e confiante. Como digo sempre, vamos ver.
 
As alterações que vou fazer são as seguintes:
  • passar a fazer cinco treinos semanais, e incluir se possível dois bi-diários e um intervalado.
  • aumentar o volume de treinos. Procurar acima de tudo fazer mais kms  do que tenho feito até agora.
  • rever alimentação. Tinha planeado chegar a Outubro, e abolir tudo o que não ajuda um desportista, mas decidi antecipar essa mudança já a parti de amanhã. Falo de bebidas com gás, doces, porcarias, etc. E apostar numa boa hidratação, peixes, legumes, mais fruta, etc. Não é que eu seja de fazer asneiras todos os dias, mas tenho que reduzir para uma refeição "batota" por semana, e o resto só coisas saudáveis.
  • abolir leite, e deixar ficar apenas iogurtes líquidos magro.
E pronto, é este o estado da nação. 
Se alguém tiver sugestões/dicas que possam ajudar, sou todo ouvidos.

 Até à próxima e boas corridas.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Rescaldo - Celtic Challenge Trail 2016

Após as férias de Verão e já com algumas semanas de treinos nas pernas para a Maratona que se aproxima(assim o espero) em Novembro, foi tempo de voltar a competir, mais uma vez num Trail, o Celtic Challenge Trail. Sendo uma prova com duas distâncias, uma de 15kms e outra de 25kms, o sensato seria começar pelo trail curto. Acontece que não fui sensato e meti-me logo na de 25kms. Vamos ver como correu.


Meu ultimo trail foi em Julho, com a Expedição ao S. Gonçalo. Foi uma prova super difícil para mim. Muito calor, vários meses sem competir em trails, a desidratação e o forte calor fizeram-me sofrer muito. Desta vez fui para a prova um pouco mais confiante. Sabia que não tinha preparação para os 25kms, pelo que o objectivo era apenas rolar, e dar um pequeno choque ao corpo, levando-o a limites que já não estava habituado. Nas últimas semanas o máximo que corri de uma vez só, foi pouco mais de 18kms, com a agravante de ser sempre em estrada. Como sabemos 10kms em estrada não é a mesma coisa que no monte, pelo que seria utópico pensar que teria preparação para tal.

A altimetria revelava uma prova que para a distância ia ser difícil, com a parte mais difícil a ser os primeiros 15kms, o que me deu algum alento, pois acreditava ter preparação suficiente para essa distancia. O resto como era essencialmente a descer, deveria ser mais fácil de gerir, assim pensei eu.

Comecei a prova com calma, a ter boas sensações nas pernas, mas a acusar o facto de só fazer treinos planos. A prova começou logo com perto de 4kms a subir, meu corpo acusou isso e as bmps subiram logo. Estava muito calor, e tinha pelo menos 3 subidas com bastante inclinação, sobretudo a que levou à ultima zona de reforço com sólidos, pouco depois dos 15kms. Pois bem, minha preparação não era suficiente sequer para os 15kms. Acusei falta de pernas e resistência. A partir dos 14/15kms e depois cada vez pior até ao fim da prova, comecei a ficar com uma enorme tensão muscular nas pernas. Estavam mesmo duras, sem elasticidade/flexibilidade. Até a descer sentia desconforto com o movimento dos músculos. Acredito que se tenha devido a dois fatores. Preparação inadequada para o efeito, e ter aumentado um pouco a massa muscular.
Os últimos kms foram uma luta entre a cabeça e o corpo, com o corpo a querer ir a pé, e a cabeça a tentar contrariar isso. Cheguei a correr em plano a ritmo de jogging, com as bmp's altas, sinal da fadiga que já tinha. Foi um bom treino também para a cabeça.
Consegui chegar ao fim, e agora espero que o pior tenha passado. Claramente não tinha preparação suficiente, e espero que o choque que meu corpo levou, me ajude nas próximas semanas.

Joelho
Não tenho tido problemas ultimamente. Há sempre dorzitas, mas mais perto dos gémeos, mas felizmente não tem piorado. Senti algo durante a prova, mas nunca piorou. As massagens semanais, a aplicação de gelo e talvez, o uso de palmilhas adequadas, tem permitido para já controlar o problema. No entanto, não vou fazer a festa antes do tempo. Será sobretudo a partir desta semana que irei aumentar meu volume de treinos, com mais kms em cada treino. No passado recente, sempre que minha forma melhorava, o joelho começou a queixar-se, pelo que nada de favas contadas. Entretanto já fiz a massagem pós-prova, e as dores sentidas mostram que o problema ainda está lá. Mas curiosamente sempre na zona entre os gémeos e o joelho, e não no próprio joelho.

Organização
Tratando-se de uma prova nova, fiquei surpreendido. Não tenho absolutamente nada a apontar, além do tiro de partida ter sido 10min depois da hora marcada. Marcações de percurso impecáveis, várias zonas de reforço, pessoas simpáticas a ajudar-nos em tudo. Vivemos um ambiente típico da Escócia, com música alusiva. Gostei mesmo muito de tudo que tem a ver com a organização. Faço votos para que continuem assim.

A zona em que a prova decorreu foi muito fustigada por incêndios, obrigando a organização a refazer o percurso mais que uma vez. Dai não ter estranhado ter feito 22,4kms, e não os 25kms previstos. Mas como sofri muito para acabar a prova, até agradeci estes 2,6kms a menos.

A menos de dois meses da Maratona do Porto, espero fazer mais um ou outro Trail, pois acredito que ajuda muito na preparação.

Até à próxima
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Review Asics Gel Nimbus 17

Após o unboxing, e passados 5 meses!!! Aqui vai as minhas impressões sobre este modelo da Asics. Peço desculpa pelo demora, mas infelizmente a motivação não foi muito alta nos últimos meses, pelo que a vontade de escrever sofreu com isso. E embora já aja as Gel Nimbus 18, esta review ainda pode ser interessante, pois não tenho duvidas que ainda será possível comprar as Gel Nimbus 17 nos próximos dois anos.
Estou com problemas em carregar imagens, pelo que para já esta review ficará sem imagens. Espero poder resolver brevemente.

Este modelo da Asics é dos mais conhecidos pela comunidade de corredores espalhada pelo mundo. Já na 17ª versão, tem sido um best-seller da Asics, e a escolha de muitos corredores. Por norma alterações drásticas não ocorrem todos os anos. Mas as 17 foram uma exceção. Houve muitas mudanças para o modelo anterior, a começar pelo peso, que baixou cerca de 20gr. Continua a ser um pouco pesado (um pouco acima dos 300gr), mas tendo em conta o que oferece, ninguém ficará chateado com o peso delas.

Estamos a falar do modelo da Asics mais direcionado para o amortecimento e conforto. Basta olhar para elas para perceber que a Asics não olhou a meios para atingir esse fim. Já tenho perto de 200kms, pelo que estou em boas condições de dar meu feedback.

Estética
Já disse isto no unboxing, e volto a dizer. Que sapatilhas lindas!! As mais bonitas que alguma vez tive. Lembro-me bem de quase me sentir mal nas primeiras vezes que as usei, com receio de as sujar. Já os cordões tem tanto de bom como de mau. São lindos, a condizer perfeitamente com a sapatilha em si. Única critica que faço é que são quiçá, os cordões mais cumpridos que alguma vez tive. Quase que dava para pegar num, cortar em dois, e mesmo assim ser suficiente para colocar no par. Não entendo o porquê desta decisão da Asics, e fica para mim, como o grande ponto negativo desta versão.
Olhando para elas, não há a mínima duvida que são Asics, o design já com muitos anos, torna-as completamente reconhecíveis por qualquer pessoa. Vemos gel não só à atrás, mas também à frente, coisa que só se vê neste modelo, e que reforça o objetivo da Asics para este modelo, amortecimento!

Como se sentem no pé?
Tinha muitas expetativas para estas sapatilhas, sobretudo ao nível de conforto, e nisso não fiquei defraudado. São mega confortáveis, e encaixam no pé que nem uma luva, embora eu tenha comprado um número um pouco acima do ideal. Comprei tamanho 42.5, o ideal seria talvez 42. 
Como ponto negativo, e talvez sequência de tanto amortecimento, é que sentem-se um pouco altas. Tem um drop de 10mm, que podemos considerar normal para o tipo de sapatilha que é, mas não deixei de sentir-me alto com elas. No entanto, com o uso esta sensação vai desvanecendo e acabamos por nem notar.

Como se portam a correr?
Durante estes meses tenho alternado entre estas Asics, e as Adidas Supernova Glide 6 Boost, que já fiz a review aqui. Como disse anteriormente tinha expetativas muito altas, o que por vezes é mau. Pois bem, a grande diferença que senti para as Adidas é mesmo nas sensações que temos quando o pé entre em contacto com o solo. Enquanto nas Adidas consigo sentir tudo. Consigo saber a cada instante, que parte do pé está em contacto com o solo. Com as Asics não tenho a mesma sensação. Nunca consigo sentir que parte do pé está em contacto com o solo. Ao inicio foi uma sensação esquisita, pois não estava habituado, mas com o tempo a sensação foi melhorando e fui-me habituando. Esta característica poderá ser um problema para aqueles corredores que gostam de sentir mais a passada.
Outra questão que destaco, e comparando mais uma vez com as Adidas, que são umas excelente sapatilhas, é que a diferença ao nível de conforto e amortecimento entre ambos, foi para mim, bem menor do que esperava inicialmente, ou seja, estava a contar que as Gel Nimbus me oferecessem sensações incomparavelmente maiores do que as Adidas, no que toca ao amortecimento e conforto. Tal não aconteceu, facto que me surpreendeu, pois estamos a falar do modelo da Asics mais virado para o conforto, enquanto as Adidas são sapatilhas mais leves e direcionadas para corridas mais rápidas, tendo outros modelos da marca mais focados no mesmo que estas Asics.
Ora isto pode querer dizer uma de duas coisas. Por um lado, que as Adidas são mesmo boas! Ainda mais do que eu esperava. E por outro, que o nível destes dois modelos é tão alto, que as próprias Asics não conseguem destacar-se assim tanto. Além disso há a questão das expetativas. Como eram altas, ficou mais fácil sentir-me um pouco defraudado.

Único ponto que não pude comparar ambas, foi em distâncias maiores. O máximo que fiz, foram 21kms numa Meia Maratona, pelo que não posso dizer se as sensações seriam mais diferentes, caso as distâncias fossem maiores (acima dos 30kms).

Não obstante isso, estou muito satisfeito com estas sapatilhas. São muito confortáveis, estáveis e se conseguir estar à partida da Maratona do Porto em Novembro, serão certamente as que irei levar comigo.

E vocês que acham deste modelo? Estou curioso para saber vossa opinião.

Obrigado.
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