sábado, 10 de dezembro de 2016

Rescaldo - Meia Maratona de Vigo 2016

Posso dizer com alguma satisfação que 2016 acabou sendo o melhor ano que tive até agora, no que toca a corridas. Fiz mais corridas que nunca, e consegui o meu grande objetivo. Participar e concluir uma Maratona. As semanas que se seguiram à Maratona não foram fáceis, mas após quatro semanas as coisas começaram a normalizar. A época 2016 acabou com uma boa surpresa, pois melhorei meu record pessoal na Meia Maratona, quando nada o fazia prever.


Fresco de participar na Meia Maratona de Famalicão, e correndo o risco de parecer cliché, mas fui para Vigo sem qualquer expetativas no que toca a tempos, pensando apenas em rolar a bom ritmo, mas sem entrar em loucuras. Desde a Maratona do Porto que diminui os treinos (e muito), e tenho-me dedicado a outros prazeres da vida, como sair à noite e comer coisas que não se deve comer.
A noite anterior à prova não foi exceção, com um jantar de Natal. Não me neguei a absolutamente nada, comi muito mais do que devia, e sobretudo diverti-me. A vida não é só correr!

Dia da prova
Acordei por volta das 06:30 com cerca de 2h30 de sono. Consegui chegar a Vigo com tempo suficiente para pegar meu dorsal e arranjar local para estacionar o carro. Gosto muito de Vigo! É uma cidade diferente do que se costuma ver em Portugal. Faz-me lembrar algumas cidades americanas. Muitas ruas, sobe e desce, e prédios e mais prédios. O cenário prometia.
Fui fazer ao meu aquecimento, e pelos atletas que ia cruzando, parecia que não ia ter muitos participantes, coisa que até nem se verificou. Esta prova tinha a nuance de podermos participar na mesma por equipas, ou seja, podia-se fazer equipas de 2 ou 4 elementos. Achei esta variante muito engraçada.

Vamos ver no que dá
Como disse fui para esta prova sem intenções de olhar para o relógio. Acontece que o aquecimento correu bem. Estava um dia lindo.. perfeito para correr e aqueles minutos antes da partida, associados às boas sensações que tive no aquecimento, fizeram-me mudar o objetivo para a prova.
Sendo uma prova que não é boa para tempos, devido à natureza do percurso com subidas e descidas, comecei a prova bem, mas sem entrar em loucuras, e assim foi até ao km 12, com os parciais a variar consoante o percurso subia ou descia.

Porcaria dos cordões
Uma regra de ouro nas corridas, é garantir que os cordões estão devidamente apertados, coisa que não fiz. E como castigo, fui forçado a parar por volta do km 12. Posso dizer que fiquei muito chateado com F grande com minha burrice, e a partir dai a minha prova mudou bastante. De imediato acelerei o passo na tentativa de recolar no atleta espanhol com quem ia a correr lado a lado. Acontece que não me fiquei por ai e continuei a puxar, dando tudo o que tinha. A dada altura veio a ilusão de poder não só bater meu record pessoal, como ficar perto da 01h30, ou até superar. Como era um percurso com duas voltas, ao fim da primeira volta, fiquei a saber onde subia e onde descia, e como os kms finais eram a descer, ataquei forte. Dei mesmo tudo o que tinha e não tinha. Perto do fim, ficou evidente que não ia conseguir baixar da 01h30, pelo que esmoreci um pouco, mas mesmo assim, fiz os 3 kms finais abaixo das 04:00. Foi uma parte final muito intensa, com as pulsações super altas, e o corpo a querer abrandar. Foi uma luta com a cabeça, mas digo, soube bem atacar e dar tudo o que tinha e não tinha.
O tempo final foi de 01:32:22, uma melhoria de 32s face ao meu anterior record, obtido no inicio do ano, na Meia Maratona de Braga. Conseguir acabar abaixo das 01:30:00 é o meu próximo objetivo, na edição 2017 da Meia Maratona de Braga, prova mais propícia a bons tempos que esta.

Fim de época
Esta deverá ter sido a minha última prova da época. Não estou particularmente interessado em fazer S. Silvestre, o que não quer dizer que não o faça. O balanço do ano será feito brevemente, mas foi um ano positivo sem duvida.

Aquele abraço.
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Rescaldo - Meia Maratona de Famalicão

Após uma das piores prestações que alguma vez tive, no que toca a corridas, no Trail Amigos da Montanha, fruto provavelmente da recuperação da Maratona do Porto ainda não estar concluída, fui para esta prova, com grande cepticismo. Não fazia ideia se ia passar pelo mesmo da prova anterior, e mesmo sendo uma prova sem objetivos de qualquer espécie, queremos sempre dar o nosso melhor.


Esta foi a minha segunda participação na Meia Maratona de Famalicão. A primeira foi em 2014 praticamente a seguir à minha estreia em Meias Maratonas, na Meia Maratona do Porto (desculpem lá repetir tantas vezes Meia Maratona, em pouco tempo). Como disse na introdução, vim de uma prova horrível e estou em off season, com dois treinos à semana, e a corrida/treino longo ao fim de semana. Fiz um treino de recuperação, e outro de séries. Não correram mal, mas mesmo assim fui para a prova com muitas cautelas.
Sendo uma prova que decorreu na cidade da minha equipa, fomos muitos, divididos entre a Meia Maratona e a caminhada, pelo que companhia não ia faltar. A estratégia para a prova, passou essencialmente por ir às apalpadelas, tentar manter um ritmo constante, e por volta do km 14 dependendo de como me sentia, acelerar um pouco ou não.

Embora com as pulsações um bocado altas, não me senti tão mal quanto esperava. Tentei controlar o ritmo, um pouco como tenho feito ultimamente, para não quebrar na parte final. Como conhecia o percurso, sabia que o grande desafio seria até ao km 13/14, onde o percurso dava meia volta para a cidade, sendo a partir dai essencialmente a descer ou plano. A verdade é que não veio a quebra, senti-me bem e ao km 13 puxei mais, aproveitando o facto de o resto do percurso ser essencialmente plano ou a descer. Já não corria abaixo dos 04:30 de forma continua há vários meses. Pensei que ia custar mais, mas até não correu mal.

O tempo final foi 01:38:04, a menos de 5min do meu record pessoal. Há dois anos atrás fiz um tempo na casa das 01:41. Engraçado que acabei a prova meio chateado por não ter puxado mais cedo, quando uma semana antes tive a prova que tive.. enfim.. tontices. Seja como for deu para viver momentos interessantes, com alguns colegas de equipa a fazer a sua estreia em Meias Maratonas.

Próximo desafio é já no fim de semana a seguir, com a Meia Maratona de Vigo. Mais uma prova nova para mim.

Boas corridas.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Rescaldo - Trail Amigos da Montanha 2016

Duas semanas após a prova mais importante da minha (pseudo) carreira de corredor amador, foi tempo de voltar à montanha, para participar no Trail Curto dos Amigos da Montanha, onde me esperavam 18kms. A ideia era só mesmo rolar para voltar aos poucos a recuperar forma após a Maratona do Porto, mas para surpresa minha acabou sendo uma prova simplesmente horrível para mim. Das piores prestações que alguma vez tive numa montanha.

Tudo o que tenho vivido nestas semanas tem sido uma aprendizagem. Todo o treino para a Maratona, a Maratona em si, e a recuperação a seguir. Cometi vários erros durante este processo, mas isso é algo inerente a uma experiência nova. Após a Maratona estive 6 dias sem correr, voltando a correr 30min apenas ao sétimo dia. Nesse aspeto cumpri o que é recomendado. No que toca a ginásio fiz apenas dois treinos na semana a seguir à prova. Na semana que antecedeu este trail, voltei ao meu regime normal de treinos de ginásio, com duas corridas durante a semana, um de recuperação e outro intervalado. 
Estas duas semanas foram diferentes num aspeto, a motivação! O corpo ia recuperando, mas o que notei de diferente foi a motivação. Senti-me muito motivado, nunca me passou pela cabeça não me meter noutra Maratona. Queria voltar aos treinos o quanto antes, para procurar manter alguma forma, de modo a começar a treinar em Janeiro para a Maratona de Madrid, a 23 de Abril. Fiz duas corridas de 8kms, pelo que não sabia como meu corpo ia reagir a uma prova de trail. Sentia-me cansado ainda, mas nada que fizesse prever o que aconteceu.

Não tendo nenhum objetivo que me obrigue a "viver" para esse mesmo objetivo, naturalmente relaxei um pouco. Dois dias antes deste trail, tive um aniversário e não me poupei a nada. Como já não estou habituado a essas coisas, passei o dia anterior a este trail assim para o mal disposto digamos, tanto que nem jantei na noite anterior.

A prova
Choveu muito antes da prova. Acordei algumas vezes durante a noite, e o tempo estava assustador. Muita chuva mesmo! Não estava mesmo com vontade de correr confesso, tanto que olhei para o telemóvel algumas vezes a ver se recebia uma mensagem da malta da minha equipa, a dizer que não iam fazer a prova, mas essa mensagem nunca veio, pelo que equipei-me a contar com muita chuva e lama. Cheguei a Barcelos a tempo e esperei pelo inicio da prova.
A ideia nesta prova era simplesmente rolar, sem me preocupar em fazer o melhor tempo possível, e assim foi desde o tiro de partida. Deixei-me ir com calma, contando que o meu corpo fizesse o que sempre faz! Sofrer mais  nos primeiros 30/40 min e depois habituar-se e a partir dai passar a ser mais fácil. Tal não aconteceu.


Acabou sendo uma prova em total sofrimento desde o início. Pulsações altíssimas o tempo todo, más sensações nas pernas e até a cabeça fraca. Não me senti com cabeça sequer para lutar contra o meu corpo, cedo desisti de lutar e passei a serviços mínimos, que por incrível que pareça acabaram sendo o melhor que conseguia fazer. Não conseguia subir nada a correr, mesmo em plano volta e meia fazia a pé. Foi um suplicio acabar a prova.

O tempo final diz tudo, 02:47:55 para 19.2 kms. Para terem noção, um colega de equipa que por norma tem mais ou menos o meu ritmo, fez a mesma prova em 02:10:00! Uma eternidade! Só posso concluir que esta prestação é resultado da Maratona! Provavelmente meu corpo ainda não recuperou e não devia ter participado neste evento! Nada fazia supor que isto iria acontecer, mas como disse mais acima, faz tudo parte da aprendizagem.
Confesso que esta prestação me deixou um pouco desanimado, mas já levantei a cabeça e siga com o que ai vem. Os altos e baixos fazem parte deste desporto, e agora só tenho que ter calma, continuar a treinar e deixar o tempo passar. O próximo grande objetivo está a quase 3 meses de distância, pelo que há tempo para recuperar.

A prova em si
Já fiz algumas provas organizadas pelos Amigos da Montanha! No que toca trails, creio que foi o meu segundo trail de sempre. O resto foi em provas de BTT. Não há provas fáceis organizadas pelos Amigos da Montanha, e curiosamente todas as que fiz correram-me mal. Fui sempre mal preparado, pelo as memórias desta prova não são as melhores. Mas falando da prova em si, foi sempre  perfeitamente imaculada. Tudo correu a 100%, mesmo com o tempo que estava. Trata-se de uma organização que tem a máquina muito bem oleada, e que sabe o que faz! A prova começou às 10:00 em ponto, os trilhos bem marcados, reforços qb. Nada a apontar mesmo.
Por outro lado, foi das provas de trail com mais lama que alguma vez fiz. Muita lama mesmo o que representou uma dificuldade acrescida.

O futuro é já no próximo fim de semana, com uma Meia Maratona. Espero ter uma prestação melhor que neste trail.

Boas corridas.
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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Plano de Treinos Maratona 04:00:00

Pouco mais de uma semana após concluir minha primeira Maratona, é tempo de partilhar com vocês que treinos fiz como preparação para esta prova. Este plano foi condicionado pelo meu receio de o joelho ceder com o acumular das semanas e sobretudo do volume de treinos. Tendo sido minha primeira Maratona, e não tendo eu qualquer acompanhamento de profissionais, é natural que o mesmo tenha espaço para (muita) melhoria. Lembro-me de durante a prova já estar a pensar em alterações que vou fazer ao plano, caso volte a meter-me noutra Maratona. Mas o processo é mesmo este, estamos sempre a aprender.

Primeira coisa que me salta à vista, e que vai ao encontro do que já disse, é o baixo volume de treinos por semana. Muito raramente passei dos 50kms por semana, quando o ideal é estar acima dos 70kms no mínimo. Outra coisa que vão notar que pouco tem, é os treinos intervalados. Optei por não os fazer também para proteger os joelhos. Depois na fase do tudo ou nada, ai sim passei a incluir treinos intervalados. Está visto que é um plano que permite pelo menos terminar uma Maratona, mas para quem pretende tempos abaixo dos 03:45:00 adiante, claramente não chega. 

Se a saúde o permitir espero fazer mais Maratonas. Estou curioso para ver como irei definir meu próximo plano, e que diferenças isso trará à minha prestação numa prova.

Seja como for aqui fica os cerca de 60 treinos de preparação para a minha primeira Maratona. 

Boas corridas.
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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Rescaldo - Maratona do Porto 2016 - Está feito!!!

Após muito tempo, posso finalmente dizer que a minha viagem rumo à minha primeira Maratona, foi concluída com sucesso!! Com tudo o que se passou desde 2015, poder dizer finalmente que tenho uma Maratona de estrada no curriculum, é algo que significa muito para mim. Todo o esforço, sofrimento, duvidas, receios que me levaram a estar à partida da Maratona, e claro, tudo o que passei durante a prova, tornaram o dia 6 de Novembro de 2016 um dos grande dias da minha vida.


Escrevo este rescaldo dois dias após a Maratona, pelo que já tive algum tempo para processar tudo o que se passou, e escrever aquele que é o artigo mais importante deste blog. O meu objetivo com este blog sempre foi o de procurar passar a experiência que é, fazer a primeira maratona. Espero que gostem.

Antes da prova
A semana que antecedeu a prova foi atípica para mim, na medida em que vivenciei momentos de ansiedade, duvida, receio, excitação, preocupação, etc, que não são normais em mim. Oito dias antes, acordei com princípios de gripe, pelo que estive a semana toda a tentar recuperar. Naturalmente esta situação provocou danos à minha confiança. Estava cheio de duvidas (como podem ler aqui)s obre o ritmo a adotar na prova, e pior que isso estava com receio de a minha condição física mais débil,  impedir-me de chegar ao fim da prova.
Falei muito com o Paulo, um primo meu, praticante de triatlo, que para vocês perceberem o nível que tem, participou na Family Race 2016 por carolice, a corrida secundária da Maratona do Porto, onde percorreu os 15kms da corrida, na casa dos 53min, a uma média por volta dos 03:35. Mas voltando ao que estava a dizer, mudei várias vezes de ideias, à medida que ia conversando com o Paulo. Ele apercebeu-se dos meus receios, e foi recomendando que adotasse um ritmo inicial baixo, na casa dos 05:30 para garantir que chegava ao fim da prova.

O dia anterior à prova foi sui géneris. Não sei se foi psicológico, mas senti-me um pouco pior que nos dias anteriores, meio adoentado, com dores nas costas, pernas e inclusive, alguma febre. Acordei cedo, fui tratar de assuntos pessoais, e ainda de manhã dormi umas boas 2h. Fiquei a maior parte da tarde por casa, e só descansei quando um companheiro me entregou o meu dorsal para a prova. Só ai respirei de alivio e pensei "vou estar á partida da Maratona". Nos dias anteriores à prova comi muita massa, e hidratos e sentia-me enfartado. No que toca a hidratação  procurei hidratar-me ao máximo, mas comprovando meu estado meio adoentado, quer no Sábado de manhã (véspera da prova), quer na manhã da prova, acordei com a garganta seca, custando-me inclusive a engolir. Tratei logo de beber líquidos, e rapidamente deixei de sentir problemas na garganta.

Na véspera da prova eram 21:00 e já estava na cama. Sentia-me adoentado, e como receava não dormir nada, fui para a cama muito cedo. E felizmente dormi muito, o que me ajudou um pouco. O que também aconteceu muitas vezes foi eu acordar durante a noite. Deve ter acordado à vontade mais de dez vezes. Lembro-me claramente de numa das vezes que acordei durante a noite, acordar receoso de adormecer e não ir para a prova, levando-me a ir ao alarme do telemóvel, confirmar a hora do despertador pela terceira vez. Lembro-me também de acordar receoso de não conseguir terminar a prova, e de me sentir mal com isso. Por norma não sou dessas coisas, mas a verdade é que passei por todo o tipo "devaneio mentais".

Quando o despertador tocou, já estava bem desperto. Como tinha tudo preparado no dia anterior,  foi só equipar, e tomar o pequeno almoço. Após alguma pesquisa e conversa com o meu primo, optei por não inventar e fui pelo que já estava habituado a comer. Lembro-me de ter lido um posto do Helder, do blog QuarentaeDois, que após muita experiência se ficou por algo simples como pão com compota e um sumo, coisas a que já estava habituado. Comi então um pão integral com manteiga de amendoim e leite achocolatado. Além disso preparei uma sande com marmelada para comer 45 min antes do inicio da prova.

Fui para o Porto à boleia com mais três colegas do trabalho. Dois repetentes em Maratonas, e dois estreantes. Curiosamente o mais velho dos quatro era de longe o queniano do grupo. Já com 50 anos, e inumeros trails e Maratonas nas pernas, tinha como objetivo para esta Maratona 03:15:00. O que mais me impressionou além disso, é que duas semanas após esta Maratona, vai participar num Trail de 69Kms. Enfim, outro nível!
Mas voltando à questão da boleia, cheguei ao ponto de encontro 10min antes do combinado. Já não me lembrava de ter tanto rigor antes de uma prova. Fiz tudo a tempo e horas!

O dia da prova, marcou a viragem do tempo em definitivo para 2016. Fomos a viagem toda para o Porto com uma temperatura de 7/8 ºC. O facto de não apanharmos aquele calor que tinha estado até dias antes, deu-me algum alento. O tempo estava perfeito para a prova!

Segunda vez seguida com imprevisto sui generis
Chegámos ao local da prova, preparamos o material todo e tratámos de ir para o local da prova, onde nos encontrámos com outros colegas da empresa, para a foto da prache. E novamente (a última vez tinha sido 15 dias antes no trail Santa Catarina), talvez por nervos ou excitação, meu estômago voltou a pregar-me uma partidaa. Fiz tudo o que era suposto fazer ao nível de preparação antes da prova, mas mesmo assim o estômago voltou a estragar-me os planos. Resultado? Os colegas foram para o ponto de encontro estabelecido, e eu fui procurar um café aberto. E posso-vos dizer, que acabou sendo uma pequena aventura. Eram cerca de 08:20, e quase todos os cafés estavam ainda fechados. Os que estavam abertos já tinham filas enormes de atletas que estavam lá ou para o cafezinho ou para ir aos lavabos. Andei e andei, até que comecei a correr. Finalmente encontrei um supermercado aberto e livrei-me do problema. Perdi a foto de grupo, mas deu para fazer um aquecimento.

A partida
Eu sabia que a prova ia ter muitos participantes estrangeiros, mas não contava  com o que vi. Atletas espanhóis, ingleses, alemães e por ai fora. Ao constatar aquilo senti um gozo diferente confesso. Estava quase na zona da partida, quando encontro o meu primo. Desejou-me boa sorte, para ir com calma, e lá fui para o grupo C. Quando me inscrevi na prova, coloquei-me no grupo C, que tinha como objetivo > 03:45:00. Cheguei ao meu local de partida cerca de 15 min antes do inicio da prova.
Estava muito concentrado, sério, meio alheado do que me rodeava. Tinha a 3 metros de mim alguns dos meus colegas, mas não fui ter com eles. Por algum motivo, optei por ficar sozinho, a esperar pelo tiro de partida. Verifiquei o relógio, configurei o leitor MP3, fui ajeitando o cinto que trouxe, e alonguei várias vezes antes da prova começar. O que queria era que a prova comecasse

A partida foi dada à hora marcada, e quando foi momento de passar pelo local da partida, devem ter passado mais de 2min. Liguei meu relógio e lá fui. Tinha 42,195m pela frente...


A prova
Como disse anteriormente tive muitas duvidas sobre o ritmo a adotar, e após muita conversa com o Paulo decidi que seriam as sensações do momento a ditar meu ritmo inicial. Havia uma prova até aos 30kms e outra a partir dai. Foi essa a estratégia que delineei no dia anterior, e foi essa que procurei seguir. Tinha duvidas sobre que "danos" os últimos dias fizeram na minha condição física. Mas logo logo ia tirar essas duvidas todas a limpo.

Senti-me muito bem no inicio. Obviamente os primeiros kms são os mais fáceis, mas mesmo assim foi bom constatar que estava melhor que na semana anterior. Desde o aquecimento forçado, até estes kms iniciais as sensações foram muito boas, sem dores no corpo.

Os primeiros kms são sempre uma enorme confusão, sobretudo para quem parte mais atrás. Mas isso não me impediu de começar dentro do que tinha planeado. O primeiro sorriso da minha parte, foi perto do km 2, onde alguns participantes já estavam nas laterais a mudar as águas às azeitonas. Deu para rir um bocado.
Como já disse, os kms iniciais estavam a correr lindamente, sentia-me leve, a passada estava fácil, tanto que estava constantemente a controlar-me. A dizer a mim mesmo para abrandar o passo. Os primeiros 6 kms foram sempre em crescendo (05:20, 05:17, 05:11, 05:10, 05:15, 05:05), mais rápido do que tinha planeado. Com receio de pagar a fatura mais tarde, optei por um abrandar um pouco. Tive muitas dificuldades em ir sempre ao mesmo ritmo. Oscilava mais do que o desejado entre cada parcial. Parte disso devia-se ao terreno nessa fase não ser completamente plano, mas também era por mim. Depois a partir do km 20 o terreno ficou mais plano, e passei a conseguir manter parciais mais próximos.
Ao km 21 ia com cerca de 01:53:00 de prova. Só para terem noção, meu record pessoal à Meia maratona é na casa da 01h33, pelo que ia bem mais lento que isso.
Gosto muito de correr nesta zona do Porto, por várias razões. O cenário, as pessoas e o facto de haver muitos cruzamentos. Ao cruzarmos com quem vai mais à frente ou atrás, acabamos nos distraindo um pouco, o que é muito bom. Seria mais complicado se nunca houvesse cruzamentos na minha opinião.
Outra coisa que me impressionou foi por volta do km 21, onde cruzei com o atleta que ficou em 1º lugar, ao km 34. Impressionante o ritmo destes atletas. Mas isso é outra história.
O treino mais longo da minha preparação durou 3h e teve 33kms de distância. Esse treino deu-me a perceção que do km 20 ao km 30 é onde me sinto melhor, e assim foi. Cheguei ao km 30 em boa condição.


Como disse anteriormente, senti-me muito bem na fase dos 20 ao 30kms, sempre num ritmo certo, sem grandes quebras ou oscilações. Em toda a prova parei apenas uma vez num posto de abastecimento para beber um pouco de bebida isotónica, de resto foi sempre non stopr.
Ao km 30/31 foi tempo de tomar decisões! Como me sentia bem deci acelerar o passo e aumentei o ritmo. Foi mais ou menos por esta altura que um amigo meu, o Daniel se juntou a mim para me acompanhar até à final. Sentia-me mesmo bem, e do km 32 ao km 34, fiz os meus parciais mais rápidos (05:03, 04:25 , 04:50) da prova.

A famosa parede
Muito ouvi falar da famosa parede, mas não fazia ideia do que se sentia quando ela nos atingia. Já sofri muito em trails e provas de BTT, onde cheguei a fazer provas de 80 e 90 kms, quando tinha preparação nem para metade, fazendo kms e kms a sofrer, mas mesmo assim isto foi diferente de tudo o que já vivenciei.
Corri quase a prova toda com dores musculares, mas até aos 30kms, perfeitamente suportáveis. Após o km 35, e sem me aperceber ao inicio o meu ritmo começou a baixar. Comecei a ter dificuldades em manter o ritmo ali perto dos 05:00, e quase inconscientemente fui abrandando cada vez mais. Não senti uma queda abrupta de energia, apenas comecei a sentir mais e mais dores e o ritmo a baixar, mas não estava associar à famosa parede. Dai em diante foi uma autêntica montanha russa.. em que olhava para o relógio, via o ritmo a baixar e tentava a seguir acelerar. Por outro lado tanto dizia a mim mesmo para abrandar, como a seguir estava a tentar não quebrar o ritmo, não me deixar passar dos 05:30, mas à medida que o fim chegava, tudo piorava. Ali ao km 37/38, tirei a brilhante confusão "Oh Daniel acho que atingi a famosa parede pá...!". Era esta a famosa parede que toda a gente fala, e não é que é implacável? Os últimos kms foram um suplicio, cada vez mais difíceis. Não vos consigo explicar melhor que isto, as pernas simplesmente não tinham conseguiam dar mais!! A cabeça bem que mandava, mas as pernas não reagiam. Iam completamente acima dos seus limites.
Devo ter olhado para o relógio dezenas de vezes naqueles kms finais, como se isso fosse fazer os kms passar mais depressa. Olhava à minha volta e estava tudo a sofrer como eu, passei muitos atletas nos últimos kms, mas também fui ultrapassado por outros. Vi alguns a parar mesmo durante o percurso, e eu a lutar por tudo por continuar. Meti na cabeça que não ia parar 1segundo que fosse, que ia até ao fim a correr, nem que fosse a trote. Achei engraçado que estava a fazer parciais cada vez mais próximos dos 06:00, e as bpm eram as mesmas de há uns kms atrás, onde andava perto dos 05:00. Até por ai se comprovava as dificuldades que o meu corpo estava a passar.
O km 40 e 41 foram de longe os mais difíceis. Já ouvia o speaker lá ao fundo, mas estava mesmo a bater no fundo, a lutar com tudo o que tinha por não desistir. Era uma luta entre a cabeça e o corpo, uma luta que já vivi muitas vezes no passado, mas havia diferenças. Nunca sofri tanto em tão pouco tempo. Nunca tive uma queda tão abrupta como tive nesta prova a partir do km 35. Não foi uma queda gradual, mas sim uma súbita, inesperada eu diria.
Lembro-me de no artigo que publiquei um dia antes da prova, que a prova para mim tinha 38 kms. Que os 4kms finais iriam ser mais fáceis, por ter a meta à vista. Possa, como eu estava errado! Foram os kms mais difíceis de toda a prova. Mas, independentemente de tudo o que passei, não posso deixar de estar satisfeito pela maneira como a minha cabeça lidou com todo aquele sofrimento. Foi exasperante, mas não cheguei a entrar em desespero ao ponto de perder a cabeça.
No km final, com a chegada à vista, ganhei forças onde não havia e fiz o km 42 em 05:30, 17s mais rápido que o km anterior. Uauuuu!!! Estás uma máquina!!!!
Um pormenor que achei muito interessante, foi a crónica do Helder em relação à sua participação nesta prova. O Helder está vários níveis acima do que eu alguma vez fiz, creio que esta foi a sua 9ª Maratona, e tem no seu curriculum vários Ultra Trails. O último na distância de 160kms!! Fiquei muito surpreendido ao ler que mesmo o Helder também foi atingido pela famosa parede. Fez um tempo muito bom (creio que 03:17:00) sobretudo tendo em conta que certamente não fez uma preparação 100% específica para esta prova, na medida em que fez o tal Ultra Trail monstruoso à menos de 3 meses. Por um lado fica a questão do que seria capaz de fazer, se tivesse efetuado uma preparação de 4 meses específica, e por outro deixou-me pensativo pelo facto de ter sido  atingido pela parede também.

A lágrima quase a cair
Não fosse ter o Daniel comigo, acho que ia verter uma lágrima na meta. Durante a prova tive dois ou três momentos em que senti uma emoção diferente, daquelas que parece que nos vamos desfazer em lágrimas. A última foi na meta, a escassos 20m da meta, com aquele mar de gente a apoiar e dar força. Tive quase quase a ir abaixo, e por ventura deitar para fora um conjunto enorme de emoções acumuladas desde 2015. Mas consegui controlar-me e lá terminei sem a tal lágrima.
Terminei a Maratona com o tempo final (no meu relógio) de 03:46:18!!!! Secretamente, tinha o objetivo de fazer a prova abaixo das 03:45:00. Não falhei por muito.



Final atingido
Mal acabo a prova, dou um cumprimento ao Daniel, e agradecendo-lhe a boleia e todo o apoio dado e depois.. bem.. posso-vos dizer que foi muito complicado. As pernas pareciam pedras, tinha tudo muito rígido. Sentia na pele todo o esforço que fiz. Fui andando muito a custo, a passo de caracol, até que chego à zona da entrega das medalhas e kit de finisher. A seguir entro numa zona com bancos e cerveja à disposição. Parecia a 3ª guerra mundial. Alguns participantes sentados, outros deitados de pernas ao ar, mas todos com um ar que metia dó! Nem havia forças para sorrir ou celebrar o feito que todos conseguiram. com um ar pouco saudável, tal e qual como eu. Não me lembro de ver ninguém aos saltos. Vi inclusive pessoal a vomitar e até uma participante a desfalecer. Não há nada de engraçado em ver alguém a desfalecer, mas tinha umas 6 a 8 pessoas à sua volta e adivinhem quem foi chamar a Cruz Vermelha?? O que importa é que a companheira tenha recuperado bem.
Procurei de imediato comer e começar a ingerir líquidos, pois sabia que isso era muito importante. Tinha planeado ir às massagens, mas estava de tal modo cansado, que não tive coragem para ficar de pé 5min que fosse na fila que se fazia na zona das massagens.

Deixo aqui a informação da minha prova, que reflete um pouco o que tentei relatar. Correu melhor do que esperava, e desfez algumas duvidas que tinha. Sinto-me satisfeito, realizado e sobretudo aliviado.  

E o joelho
Foi incrível chegar à prova 100% certo que não iria ter problemas no joelho. E assim foi, tive dores nas coxas, nos pés e nos kms finais comecei a sentir o outro joelho (o menos mau eh eh) a prender. Mas o joelho que tantas chatices me deu, não deu o mínimo problema, à parte uma dor momentânea algures durante a prova.
Não vivo de ilusões, sei que tudo o que fiz estes meses contribuiu para que o joelho se aguentasse. Mas também sei que parte do "mérito" vem de uma coisa chamada sorte. Apenas vou continuar assim, enquanto a saúde o permitir.

Futuro
Muitos atletas quando acabam uma Maratona, a última coisa que pensam é em voltar a meter-se noutra. Claro está que uns tempos depois estão de volta, mas por algum tempo, não querem pensar sequer em fazer outro. Eu não! Nunca me passou pela cabeça não tentar novamente! Fiz a primeira, aprendi muito e espero daqui a um ano estar novamente à partida da Maratona do Porto 2016, caso a saúde o permita. Por outro lado não quero perder ritmo/forma, pelo que já tenho um alvo para 2017, a Meia Maratona de Braga, onde vou tentar melhor meu record pessoal, e acabar a prova abaixo das 01:30:00, e não me canso de repetir, se a saúde o permitir claro.

E pronto, hoje atingimos o ponto mais alto deste blog, ainda não sei de vou continuar com ele, pois não tenho a mínima noção se está minimamente agradável. Espero que hoje, amanhã, daqui a um ano ou dez anos, alguém leia este artigo e lhe seja de algum modo útil. Minha crença em estar à partida desta Maratona era tão baixa, que nesta 2ª tentativa optei por não postar os meus treinos. Mas isso fica prometido, irá ser um dos meus próximos artigos. Irei colocar tudo o que fiz, e também o que vou tentar melhorar da próxima vez. A preparação que fiz pode ser muito melhorada, nunca parámos de aprender.

Agradecimentos
Tenho várias pessoas a quem quero agradecer, que foram muito importantes nesta viagem. Algumas deram-me força em 2015, outras agora. Vou-me esquecer de alguns certamente, mas ninguém leva a mal. 
O meu muito obrigado ao meu primo Paulo, ao maninho Dani (que já prometeu que em 2017 vai estar à partida da Maratona do Porto), ao meu fisioterapeuta Marco, e agora seguidinho à Verinha, Ni, Filipa, Daniela, Natália, Marta, Sylvie, Marina, Marisa, Bruno, Nuno, Hugo, minha familia, Be, Francelina, Francisca, Carla,  malta dos Fama Runners, Helder do blog QuarentaeDois, à malta que foi acompanhado este blog, e por ai fora.

Até à próxima corrida :)


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